A Categoria Bancária - Formação e Informação em Rede Cutista

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Campanha dos bancários 2010: artigo sobre índice e estratégia

A construção do índice de reajuste na campanha nacional dos bancários 2010

Responsabilidade CUTista na representação sindical

Tenho debatido com vários colegas em cursos de formação os princípios, concepções e práticas da CUT: nós não somos aventureiros e panfletários. A CUT tem como objetivo negociar e contratar melhorias para os trabalhadores representados.

A CUT é diferente das demais centrais e correntes do movimento por questões básicas como ter o foco nos interesses imediatos da classe trabalhadora que representa, sem descuidar dos interesses históricos.

Apresento aqui a minha opinião sobre alguns debates já feitos acerca do índice que a categoria pretende reivindicar este ano em sua campanha nacional 2010, bem como sobre a questão de contratar ou não a remuneração variável, como já ocorre com a PLR geral e os programas próprios por bancos.

A CUT É SINDICAL

Isso quer dizer que a CUT tem como objetivos imediatos organizar a base, retirar a pauta de reivindicações baseada na realidade e conjuntura setorial e nacional, mobilizar os trabalhadores, negociar com o patronato e contratar melhorias para os seus representados ao final do processo.

Quero dizer com isso que não é prática da nossa central vender ilusões e pregar vanguardismos não baseados na realidade e na boa leitura de conjuntura de cada categoria que representa.

O encontro da Fetrafi RS deliberou, por exemplo, que o índice a ser reivindicado este ano deve ser de 20%. “Na justificativa foi destacado que o índice contempla o momento econômico, político e social do país”.

É interessante observar que a estimativa de inflação para a nossa data-base é de 5,5%. Ou seja, o “momento econômico, político e social do país” sugeriria que NESTE ANO PODEMOS CONSEGUIR 300% a mais que o índice de inflação!?

Seria de fato algo “nunca antes visto na história deste país” para um contrato coletivo que abrange 460 mil trabalhadores como o da categoria bancária.

SERÁ QUE TODA FORÇA POLÍTICA NO MOVIMENTO SINDICAL QUER MESMO NEGOCIAÇÃO COM O PATRONATO?

Eu fico admirado com a falta de conhecimento de mesa de negociação com o patronato por parte de alguns companheiros e lideranças de correntes políticas. Algumas pessoas insistem em direcionar a categoria para campanhas derrotadas. Mas a CUT não concorda com isso.

É interessante que as justificativas dessas “lideranças ”são sempre as mesmas: o lucro dos bancos é absurdo..., os trabalhadores merecem mais..., se pedir “pouco” é que não vem nada..., as perdas históricas da categoria..., ou coisas do gênero.

NÃO CONTRATAR REMUNERAÇÃO VARIÁVEL: NÃO VAMOS MAIS NEGOCIAR PLR?

Além da questão do índice 300% a mais que a inflação, podemos dizer a mesma coisa quando vemos o pessoal defender e aprovar não negociar e contratar a remuneração variável.

PERGUNTO: os colegas que defendem isso têm certeza que nós não devemos negociar e contratar acordo de PLR geral da categoria e programas próprios como recentemente fizemos no caso do PCR para os bancários do Itaú-Unibanco e do PPRS para o grupo do Santander–Real?

O que fazemos então? Deixamos o banco determinar sozinho ou assinar com algum sindicato pouco representativo o que ele quiser e aplicar para todos? Ou fazer como o banco HSBC, que cria programa de resultados através de "comissão interna de funcionários"?

Os bancários têm nos dito nas assembleias que deliberaram os acordos que devemos contratar sim. Sindicato serve para representar os trabalhadores e negociar suas questões trabalhistas na plenitude e não pela metade. A remuneração variável tem peso cada vez maior na remuneração total.

LIDERAR E DIRIGIR UMA CATEGORIA EXIGE CONHECER O SETOR QUE REPRESENTA E O PATRONATO

Nós pudemos discutir um pouco esse tema durante os congressos dos bancos públicos no fim do mês de maio. Na oportunidade, perguntei aos colegas que reivindicavam cerca de 40% no índice se era sobre todas as verbas salariais ou sobre os pisos, porque as folhas de pagamento dos bancos são completamente diferentes daquelas do passado. São outros bancos e outras formas de remuneração. Muitas comissões são criadas todos os dias e outro tanto deixa de existir.

Se estiverem pedindo um índice várias vezes a mais que a inflação em todas as verbas, estarão propondo socialismo ao avesso, para os mais abastados, porque uma parte da remuneração fixa – as comissões de cargos e funções – são recentes e são de valores altos.

Se um banco tem uma folha de pagamento anual de 2 bilhões, uma proposta de 20% de aumento para uma inflação de 5% – 300% a mais que a inflação – quer dizer que o banco teria a partir de 1º de setembro uma nova folha de 2,4 bilhões.

É EVIDENTE que, como trabalhadores, acharíamos isso ótimo!

Mas, como dirigentes e trabalhadores mais politizados, e que conhecem como se dá o mundo do trabalho no Brasil e as lógicas de negociação entre banqueiros e governo e trabalhadores bancários, deveríamos saber que mesmo que se baixasse uma ordem (por ex. em um tribunal de justiça) para os bancos aumentarem sua fopags dessa forma, no dia seguinte as empresas começariam a se adequar à nova realidade de custos.

BANQUEIROS SÃO BENEFICIADOS POR LEGISLAÇÃO TRABALHISTA FLEXÍVEL, QUE SEMPRE PERMITIU ENXUGAMENTO DE QUADRO

Os bancos já fazem isso todos os anos. Os privados demitem e trocam os mais antigos, com salários maiores, pelos mais novos, com salários cerca de 40% menores.

Os bancos públicos podem ter compromisso de não demitirem, conforme o governo de plantão – como ocorreu nestes oito anos de governo do PT –, mas, fazem programas de incentivos a desligamentos, pois a fopag atinge patamares que os fazem dizer à sociedade e acionistas (caso do BB) que eles se tornam inviáveis para competir com o mercado (já vimos isso nos anos 90, quando só sobraram alguns bancos públicos dos processos de privatização).

É óbvio que o movimento sindical e os trabalhadores nunca concordaram com essa desculpa patronal e de governos e lutaram e denunciaram, mas não obtivemos respaldo da sociedade na época.

Não preciso lembrar que as outras soluções, muito usadas nos últimos 20 anos, são as opções permitidas a qualquer gestão de empresa – pública ou privada - em mundo globalizado e desregulamentado: automação bancária, terceirização e redução do número de trabalhadores com aumento da intensificação do trabalho.

A MELHOR ESTRATÉGIA É LUTAR POR AUMENTO NO PISO, AUMENTO REAL E POR PLANO DE CARREIRA

A proposta que tem sido feita por nós da Articulação Sindical da CUT, que tem dado certo e que é votada e aprovada pelos bancários é a de lutar pelo aumento do piso da categoria – referência no piso do Dieese – e pela implantação de planos de carreira nos bancos, além de manter a política salarial de aumento real de salário. Esta estratégia tem se mostrado a mais acertada para negociar com o patronato.

É importante estar alerta para propostas que podem parecer “combativas” e revolucionárias, mas que no fundo são aventureiras e panfletárias e já nascem derrotadas. O problema real de determinadas propostas é que derrotam a categoria que embarca nelas.

MOBILIZAÇÃO DA CATEGORIA É FUNDAMENTAL

Não podemos nos esquecer que o que queremos e precisamos é construir MOBILIZAÇÃO. A categoria tem dito expressamente aos sindicatos e dirigentes que não acredita e não embarca em aventuras e devaneios.

Será que é crível reivindicar 300% a mais que a inflação do período como índice de reajuste? Isso ajuda ou atrapalha a mobilização?

As pesquisas e consultas que estamos fazendo este ano, em nível nacional e regional, têm nos mostrado que este não é o melhor caminho. Estejamos atentos ao que a categoria nos aponta.

William Mendes, dirigente bancário e militante CUTista da Articulação Sindical.

 



Escrito por william-mendes às 19h44
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Ganho real, a melhor estratégia para a categoria bancária

Texto produzido após o 21o Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, em maio/2010.

 

GANHO REAL, a melhor estratégia para a categoria bancária

A contribuição da CUT nos debates de remuneração dos trabalhadores

 

Congresso dos funcionários do BB aprova a estratégia de lutar por aumento real em todas as verbas, lutar pelo piso do Dieese e um novo plano de carreira

 

O congresso dos bancários do Banco do Brasil fez novamente um excelente debate sobre vários temas recorrentes na categoria, que aparecem quando inicia a campanha nacional. Um dos temas debatidos e votados foi sobre a estratégia adequada para recompor o poder de compra dos salários após várias reestruturações do setor financeiro ocorridas desde os anos 90.

O tema que alguns colegas trazem como polêmica todos os anos é sobre repor perdas através de índices enormes de inflação acumulada desde certa data, normalmente desde o plano real. Esse tema mereceu uma reflexão muito boa no grupo de trabalho que debateu remuneração e depois foi para votação no plenário geral, que votou a estratégia de lutar por aumento do piso e novo plano de carreira, ao invés de índices astronômicos a serem reivindicados como reposição de “perdas”.

Mais uma vez, a categoria bancária mostrou que tem acompanhado as campanhas salariais e visto o resultado positivo da estratégia.

E tem sido assim. a categoria bancária, sábia como é, não tem votado nessa proposta equivocada e deslocada da realidade de propor índices "mágicos" de perdas como "solução" para a remuneração da categoria em que atuamos, os bancos.

As propostas de reivindicar "perdas" de inflação nas campanhas salariais dos bancários se perdem nas próprias propostas das correntes que as fazem. Vejamos como foi no congresso do BB:

-quando olhamos as tabelas das teses com os índices de reajustes nos bancários na última década, já percebemos algumas inconsistências como, por exemplo, "esquecer" que em 2004 houve reajuste acima do índice de 8,5% para salários até R$1500. Só no piso da categoria isso representou um aumento acima da inflação de cerca de 4 a 5,5% dependendo do índice utilizado (INPC ou ICV).

-ainda olhando os outros "esquecimentos" é importante recordar que na campanha de 2009, na mesa específica do BB, conseguimos mais 3% além do índice geral para o PCS. Ou seja, foram esquecidos ali no cálculo de "perdas" apresentadas no BB ganhos acima da inflação na casa de 7%.

-outro problema muito sério quando se discute remuneração em mesa de negociação é achar que o outro lado da mesa (banqueiros e governos) não está preparado para a discussão dos temas negociados.

Algumas vezes, o processo negocial estanca na mesa de negociação em impasses técnicos. A nossa representação é constituída de forma política por representação democrática de várias entidades do movimento e isso nos dá poder político. Também contamos com nossas assessorias cada dia mais preparadas como o Dieese e nosso corpo técnico próprio.

É verdade que vemos, às vezes, "lideranças" do movimento dos bancários que ainda acham que devemos "fechar a compensação" nas greves, como se a estrutura do sistema bancário fosse aquela de 15 anos atrás. Parece que não notaram ainda que todas as transações são eletrônicas e que no momento atual estão sendo extintas até as fichas de compensação e as transferências de conta e banco se dão no mesmo instante. Mas esses casos são exceção dentro das lideranças sindicais.

 

A companheirada que propõe reivindicar perdas está propondo o que especificamente? Um reajuste em todas as verbas remuneratórias de 40 ou 50%?

Estou entendendo que a proposta então propõe reajuste que abrange as comissões criadas nesse trimestre ou qualquer outro por algum diretor de alguma área do BB, certo? PORQUE QUEM FAZ ESSE TIPO DE PROPOSTA, OU NÃO SABE, OU ESQUECE QUE A ESTRUTURA REMUNERATÓRIA DO BB É UMA "COLCHA DE RETALHOS".

QUANDO A ARTICULAÇÃO SINDICAL propôs, no início dos anos 2000, a mudar a lógica de pedir "perdas" e buscar GANHOS E REAJUSTES EM TODAS AS VERBAS, como já era na mesa da Fenaban, já analisávamos que a estrutura de carreira dos bancos públicos estava adaptada "ao mercado", ou seja, à dos bancos privados de salário fixo e piso inicial baixo e carreira baseada em funções.

O BB congelou o piso e o PCS nos anos 90 e criou os VRs para "adaptar a remuneração das funções ao que o mercado pagava". O que vimos desde então foi não ter mais reajustes como tinha na categoria e quando tinha, era só no PCS e toda a estrutura comissionada ficava sem reajuste nenhum, pois era remunerado em Adicionais de Função e Valores de Referência. Em geral, acima do valor individual do PCS de cada um.

Aliás, o que ocorreu na época foi a gestão tucana do BB privilegiar alguns setores e diretorias e dar aumentos de 20 a 152% para alguns VRs de apadrinhados, enquanto todos os demais comissionados não tinham reajuste nenhum. Esse é um exemplo do que é hoje a folha de remuneração e cargos no banco. Cria-se e encerra-se cargos e funções a qualquer hora.

A ESTRATÉGIA DA ARTICULAÇÃO SINDICAL PARA REAJUSTAR OS SALÁRIOS DE TODOS OS BANCÁRIOS DO BB FOI REIVINDICAR O CUMPRIMENTO DA CONVENÇÃO COLETIVA DA CUT e FENABAN.

OS BANCÁRIOS VOTARAM EM NOSSA ESTRATÉGIA E O OBJETIVO FOI ALCANÇADO A PARTIR DE 2003 COM O CUMPRIMENTO DOS REAJUSTES E DEMAIS DIREITOS DA CCT. PASSOU-SE A CORRIGIR TODAS AS VERBAS, OU SEJA, PISO, PCS, ADICIONAIS DE FUNÇÃO, E VRs.

DE QUEBRA, COM A NOSSA ESTRATÉGIA DA CAMPANHA UNIFICADA, PASSAMOS A TER UMA CESTA DE DIREITOS DA CCT/CUT que ou não tínhamos ou era menor como, por exemplo, PLR, VA, VR, AUXÍLIO CRECHE etc.

NÃO CABE MAIS EM UMA ESTRUTURA DE REMUNERAÇÃO DOS BANCOS falar em "perdas" PORQUE O QUADRO DE CARREIRAS E REMUNERAÇÃO É MUTANTE!!

 

Socialismo ao contrário?

Também quero lembrar que desde que as direções do BB dos anos 90 para cá mudaram o quadro de carreira privilegiando comissões e não o salário inicial e o PCS, várias vezes algumas comissões de setores foram reajustadas ou recriadas de maneira a subirem mais de 100%. Pedir que se aplique reajuste de "perdas" na forma de índice para todas as verbas é fazer socialismo ao contrário.

Ademais, índices enormes de reajuste são propostas inócuas, pois nenhuma empresa vai sentar para negociar um aumento em sua folha de um índice que seja dezenas de vezes o índice de inflação do período da data-base, dobrando sua folha de pagamento.

 

A proposta CUTista da Articulação Sindical é:

1-aumentar o piso inicial: propomos o do Dieese

2-melhorar a amplitude entre o valor inicial do PCS e o final, pois hoje é de menos de 50%, em 12 níveis com 3% entre cada um. A maior perda dos bancários do BB foi o PCS!

3-melhorar o salário fixo em relação às comissões. Isto pode ser resolvido, incorporando ao salário do bancário, a cada 12 meses de trabalho 10% do VR exercido naquele período, de modo que se um dia o trabalhador não quiser ou puder exercer mais determinada função comissionada ele não volta ao salário seco do piso.

4-deve haver um limitador (%) que não permita que as comissões sejam maiores na remuneração total do que os salários fixos que as pessoas carregam consigo ao longo de sua vida laboral.

EM SÍNTESE: A CUT E A ARTICUALAÇÃO SINDICAL QUEREM MELHORAR OS SALÁRIOS INICIAL, DE CARREIRA E FIXO, EM RELAÇÃO À REMUNERAÇÃO TOTAL DOS BANCÁRIOS DO BB, BEM COMO UM PLANO DE CARREIRA QUE PRIVILEGIE TEMPO DE SERVIÇO E MÉRITO NAS FUNÇÕES, E ISTO NÃO SE RESOLVE COM PROPOSTAS INVIÁVEIS DE NEGOCIAÇÃO DE ÍNDICES "MÁGICOS" DE "PERDAS".

 

 



Escrito por william-mendes às 11h39
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O papel do delegado sindical bancário

OLT na categoria bancária - o papel do delegado sindical

Breve histórico na categoria bancária

A Central Única dos Trabalhadores - CUT - tem como um de seus princípios basilares na organização da luta sindical a construção e defesa da organização por local de trabalho – OLT.

Os bancários brasileiros organizaram ao longo das últimas décadas uma das estruturas sindicais nacionais mais importantes e representativas da classe trabalhadora.

Após árdua busca de unidade nacional e muita mobilização e greves conjuntas, os bancários unificaram a data-base no início dos anos 80. Depois os empregados da caixa se uniram à categoria bancária em 1985. Nos anos 90 a CUT assinou a primeira convenção coletiva nacional - CCT dos bancários – com a federação dos banqueiros – a Fenaban – passando a garantir os mesmos direitos e salários aos bancários de qualquer empresa e região do país.

Nos anos 2000, a categoria seguiu avançando na unidade. Após os bancários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal deliberarem pela unidade com a categoria em seus congressos, as direções dos bancos públicos federais foram obrigadas a aceitar a inclusão desses bancos na Convenção da categoria - CCT, depois de fortes greves gerais, deixando as conquistas específicas daqueles bancos em aditivos, como já ocorria com outros bancos.

A conquista formal da OLT nos aditivos dos bancos públicos

Dentre os vários direitos conquistados com a greve de 2003, greve onde os bancários do BB e da Caixa Federal exigiam o cumprimento da Convenção da categoria e os reajustes daquele ano, os bancários do Banco do Brasil conseguiram o direito de seus sindicatos elegerem certo número de representantes por local de trabalho e por base sindical – 1 (um) trabalhador para cada 80 bancários da base sindical-, cabendo aos sindicatos a normatização e a coordenação do processo (art. 3º do regulamento ao aditivo do BB).

Na Caixa Federal também foram retomadas as garantias aos delegados sindicais a partir de 2003 sendo garantido um empregado eleito por local de trabalho.

O papel do delegado sindical bancário

Os sindicatos de bancários contam com um número limitado de bancários em suas diretorias eleitas pela base sindical. Em geral, os sindicatos têm alguns dirigentes liberados para acompanhar, organizar e representar milhares de bancários de várias empresas. Sem contar que, em muitos casos, as bases sindicais têm extensões geográficas de milhares de quilômetros.

Além disso, nem todos os dirigentes bancários em seus mandatos sindicais estão liberados para atuar na sua representação em tempo integral, porque seguem em suas jornadas de trabalho dentro dos bancos, sendo limitada suas possibilidades de visitas a toda a base sindical.

Os delegados sindicais são um importante instrumento organizativo dos sindicatos. Na categoria bancária, que tem uma Convenção Coletiva Nacional e aditivos por bancos, o papel principal de um representante do sindicato e dos colegas nos locais de trabalho é acompanhar o cumprimento dos direitos trabalhistas, da convenção e do aditivo da categoria, bem como o de levar as demandas e os problemas locais ao sindicato e trazer as informações sindicais para os seus colegas de trabalho.

O papel do delegado sindical não se confunde com o do diretor do sindicato em seu mandato. O representante no local de trabalho deve verificar e cobrar da administração local soluções para a falta de condições de trabalho, não permitir que se faça hora extra sem o devido pagamento e que se trabalhe em condições insalubres. Sua visão crítica deve se assemelhar à do cipeiro e do dirigente sindical. Ele é a referência no local para conscientizar os trabalhadores para se apropriarem de seus direitos e atuarem junto ao sindicato na manutenção e ampliação das conquistas e de melhores condições de trabalho, bem como para incentivar a sindicalização.

O Sindicato de bancários e a OLT

Diferentemente de outros ramos e categorias de trabalhadores, que não têm uma Convenção Coletiva Nacional e não têm estruturas nacionais de negociação – a dos bancários é a única -, os bancários fazem as grandes negociações com os bancos através de suas confederações e federações.

Enquanto em ramos como metalúrgicos e químicos, muitas vezes quem negocia com a empresa é o sindicato e/ou a comissão de fábrica – por não haver um contrato nacional, nos bancários as negociações são feitas entre a Fenaban, que congrega e representa na CCT todos os bancos públicos e privados, e o Comando Nacional dos Bancários, que congrega a representação das federações e dos sindicatos de bancários.

Existe uma estrutura política de negociação criada pelos sindicatos de bancários do país: o Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT.

O delegado sindical nos bancários não é quem negocia com a empresa os temas nacionais como remuneração e direitos coletivos econômicos e sociais – e na maioria das vezes não são também todos os sindicatos, pois delegam isso à sua federação e à Contraf-CUT.

Por outro lado, é fundamental que o delegado sindical esteja atento ao cumprimento dos direitos dos bancários e que leve as demandas locais e traga as informações de seu sindicato. E isso independe de qualquer linha política e ideológica que cada representante no local de trabalho tenha, pois ele deve consultar os seus colegas sempre e zelar pelos seus direitos toda vez que for necessário ao longo de seu mandato de um ano.

William Mendes, secretário de formação da Contraf-CUT (gestão 2009/12)



Escrito por william-mendes às 16h48
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Artigo: Pela regulamentação do Sistema Financeiro Nacional

Achei excelente o fato de nosso companheiro Gerson ter feito um artigo abordando um tema tão presente e necessário para nós, trabalhadores do ramo financeiro e cidadãos, que queremos um diálogo com a sociedade sobre o papel das instituições financeiras no desenvolvimento de um país mais justo, igualitário e de oportunidades para todo(a)s.

Gerson é um de nosso(a)s companheiro(a)s que estão na 2a turma do curso de formação de dirigentes sindicais bancários CUTistas, feito pela Contraf-CUT em parceria com o Dieese, e que tem o último módulo nesta semana que inicia.

William Mendes, sec. form. Contraf-CUT

Artigo de:

*Gerson Florindo de Souza

 

PELA REGULAMENTAÇÃO DO SISTEMA FINANCEIRO

 

Quem nunca reclamou das altas tarifas dos bancos cobradas aos clientes, taxas por serviços muitas vezes inexistentes, persuasão para se vender um seguro, um título de capitalização ou mesmo um cartão de créditos que te cobra juros de 300% ao ano? O banco cobra um juro do cheque especial de até 8%, mas se eu fosse aplicar o meu dinheiro, ele me paga de 0,5 a 1,5%. E o que ele faz com o dinheiro que eu deposito no banco?

 

Bancários adoecem devido ao excesso de trabalho, da falta de funcionário nas agências, sofrem pressões para cumprir metas abusivas, transações casadas e uma série de coisas erradas e injustas, para favorecer o aumento dos exorbitantes lucros.

 

Do outro lado, na fila ou qualquer outro lugar, é comum ouvir o cidadão reclamar dizendo as seguintes frases: “o banco é o agiota legalizado” “banqueiro nunca perde” “banqueiros e políticos picaretas são lados do colarinho branco”. O sindicalista alerta e denuncia: o banqueiro usa o seu tempo, faz com que o cliente substitua o bancário no uso das simples, mas sofisticadas máquinas.  Para o banqueiro, tempo é dinheiro e a tecnologia serve para que ele fique cada vez mais rico. Comentários passageiros de descontentamentos, mas que não resolvem porque todos estão ocupados, irritados, vitimas do próprio mecanismo criado.

 

 Mas, afinal, o que fazer para que tenhamos um sistema bancário mais justo, onde as pessoas não fossem lesadas, usurpadas, desrespeitadas por essas aves de rapinas chamadas bancos?

 

Abordamos este assunto com técnicos do DIEESE (Departamento Intersindical de Estudos Sócios Econômicos), com dirigentes da CONTRAF-CUT (Confederação dos Trabalhadores no Ramo Financeiro) e dos participantes do curso sobre SINDICATO, SOCIEDADE E SISTEMA FINANCEIRO e chegamos a algumas propostas relevantes que poderão ser levadas a sociedade, desde o mais humilde usuário dos bancos ao mais alto empresário brasileiro.

 

Chegamos à conclusão que diante do poder dos banqueiros, os quais sempre deram as cartas e estão representados nos diversos setores dentro e fora do governo, não há outra solução senão a pressão e mobilização da sociedade para a regulamentação do artigo 192 da Constituição, por hora reprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

 

Compreendemos também que a reivindicação para ser atendida não pára por ai. É preciso escolher um momento oportuno, em que os deputados precisam do voto do povo para se elegerem. É hora de fortalecer as casas legislativas elegendo deputados e senadores que tenham compromissos e propostas em favor da classe trabalhadora. Não esquecer que antes de uma decisão é necessário analisar todos os prós e contras. Na política não é diferente: temos o lado dos que já têm e o lado dos que precisam.

 

Antes que seja tarde demais é necessário que todos se centrem na proposta, é necessário a união do povo, dos movimentos sociais e sindicatos para que estes sensibilizem as câmaras de vereadores e de deputados, as prefeituras, o governo federal e os governos estaduais para a aprovação de uma lei que discipline e torne mais efetivo o equilíbrio e controle mais rigoroso pelo Estado do Sistema Financeiro Nacional.

 

*Gerson Florindo de Souza

Sindicalista dos Bancários de Taubaté e Região (CUT) e Presidente do Partido dos Trabalhadores de Ubatuba.

 

 



Escrito por william-mendes às 14h59
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NOVILÍNGUA CRIADA PELO PIG NA GESTÃO LULA/PT

Quando a linguagem é usada para destruir

 

"O nazismo se embrenhou na carne e no sangue das massas por meio de palavras, expressões e frases impostas pela repetição, milhares de vezes, e aceitas inconsciente e mecanicamente" (Victor klemperer)

(Lembrei-me dos termos criados pela oposição e pela midiaelite - PIG - no período da crise em 2005 e que estarão muito presentes em 2010. Se tornaram comuns os chavões "mensalão", "petismo", "petralhas", "lulla", "república dos sindicalistas", "CUT pelega", "CUT chapa branca" e outras construções para "acabar com essa raça por uns 30 anos" como disse um ex-senador da direita)

É PRECISO VENCER A IMAGEM DESVIRTUADA CRIADA PELA ELITE GOLPISTA EM 2005 sobre o PT e a CUT e que afeta ainda hoje a militância espalhada pelo país.

Eu insisto: usem diariamente a marca CUT e a estrela do PT, além da camisa do clube de futebol e da marca do jacarezinho.

Este BRASIL QUE AVANÇA como "nunca antes na história deste país" é fruto do projeto da classe trabalhadora, projeto gestado principalmente através da CUT e do PT desde os anos 80!

Nós temos que TER ORGULHO do que somos e não continuar aceitando a construção imbecil do PIG de que ser PETISTA ou SINDICALISTA ou CUTISTA seja algo ruim, pelo contrário. O PT e a CUT têm lado - ESTAMOS DO LADO DA CLASSE TRABALHADORA - e contra os patrões e a elite conservadora e golpista.

Estou lendo um livro LTI, a linguagem do Terceiro Reich - de Victor Klemperer, sobre a linguagem criada pelo nazismo e o efeito dela sobre os alemães durante o período de 1933 a 1945 e no pós-guerra. Estou me lembrando de vários filmes ou livros que falam sobre a questão da dominação imposta através da linguagem, no caso, linguagem visual ou linguística.

No filme Arquitetura da destruição, por exemplo, existem imagens das propagandas nazistas pregando contra os judeus e ficamos enojados quando as vemos. Mas isso continua tão comum e tão contemporâneo hoje quanto o foi desde que se passaram a usar os veículos de comunicação de massa do século XIX para o XX. São vários os exemplos TOTALITÁRIOS do uso dos meios de comunicação, tanto à esquerda, ao centro, ou à direita.

A dominação pelo uso dos meios de comunicação foi usada por Hitler no nazismo, como também o foi no fascismo, no stalinismo, no macarthismo da "democracia americana", nas ditaduras militares do Brasil e demais países latino-americanos. A própria REDE GLOBO NASCEU ACOBERTANDO A DITADURA. O GRUPO FOLHA cedia seus carros para SEQUESTRAR MILITANTES CONTRÁRIOS AO REGIME DE EXCEÇÃO DA DITADURA e por aí vai.

A minha lembrança DA CRISE DE 2005 é clara e cristalina quando recordo o PIG - Partido da Imprensa Golpista - tentando derrubar o governo Lula e massacrando diariamente EM UNÍSSONO o governo e o PT - Partido dos Trabalhadores - e a CUT - Central Única dos Trabalhadores.

Foram meses e meses em que todos os militantes sofriam diariamente só de pensarem nas capas que seriam criadas em todos os jornais e revistas semanais com mentiras e afirmações estapafúrdias e sem nenhuma prova factual, criadas sob medida para derrubar o governo do metalúrgico Lula da Silva, sindicalista CUTista e petista, legitimamente eleito pelo povo brasileiro. Foram campanhas golpistas como o PIG fizera outras vezes no século XX.

Aqueles donos do poder - os Frias do Grupo Folha, os Mesquitas do Grupo Estado, os Marinhos das Organizações Globo, os Civita do Grupo Abril e os coronéis que detêm TODOS os meios de comunicação regionais - criaram formas de ATAQUES CONCATENADOS E ORGANIZADOS contra o PT, a CUT e o GOVERNO LULA, ataques insuportáveis, que deixam sequelas na militância até hoje, INFELIZMENTE.

O BRASIL DE HOJE É FRUTO DE NOSSO PROJETO

-o maior salário mínimo da história
-mais servidores públicos concursados em todas as áreas
-mais vagas em educação pública em todos os níveis
-forte combate à corrupção
-respeito às instituições da democracia
-foco principal do Governo Federal nas classes mais humildes
-maior programa de inclusão social do mundo
-espaço para negociação com todos os segmentos da sociedade: sindicatos, associações, grupos temáticos

É por isso que estou em franca missão, desde o final de 2009, para que meus companheiros militantes, tanto CUTISTAS quanto PETISTAS, passem a brilhar a ESTRELA DO PT no peito e a MARCA CUT todos os dias do ano de 2010.

Como secretário de formação sindical dos bancários, convoco também nossos sindicatos a realizarem ações sindicais CUTistas todos os dias, estando NA BASE e ORGANIZANDO os trabalhadores para LUTAREM por MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO E SALÁRIOS.

A CUT não é “movimento” nem é “panfletária”.

A CUT É SINDICAL, nós temos que organizar a classe trabalhadora e trazer conquistas arrancadas na mobilização!

SOMOS FORTES, SOMOS CUT!

William Mendes, sec. form. Contraf-CUT



Escrito por william-mendes às 12h07
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Morrer de "LIPO" não é "Fatalidade". Em geral, é burrice!

Olá aos "militantes" de ideais progressistas ou de esquerda ou humanistas e coisa e tal. E, formadores de opinião.

Deixo aqui a minha opinião sobre a morte de mais uma jovem, agora uma jornalista de 27 anos, em cirurgia de lipoescultura ocorrida em Brasília estes dias.

ELA JOGOU ROLETA RUSSA... E PERDEU!

Sinceramente, quando vejo uma morte dessas, cada dia mais comum, eu não considero uma fatalidade. Também não me interessa ficar discutindo se é erro médico ou não. A justiça provavelmente vai cuidar disso. MAS HOJE, AMANHÃ E DEPOIS, AS PESSOAS VÃO CONTINUAR SE ENFIANDO EM CIRURGIAS DE LIPO-ALGUMA COISA.

Tenha paciência! A mulher que morreu não tinha o que fazer em uma sala de cirurgia de lipo-qualquer coisa. Para mim é falta de inteligência da vítima e da sua família se tiver concordado com ela.

Ela apostou em uma roleta russa. Perdeu!

Perdoem a minha franqueza. Também já tive e tenho pessoas queridas que querem entrar na faca (e já entraram) pra aumentar peito, pra diminuir peito, pra tirar gordura, pra ARRANCAR PARTE DO ESTÔMAGO e por aí vai...

Eu acho que a vida vale muito mais do que essa ditadura da beleza (feiúra) em que vivemos (e morremos).

Penso que a medicina deveria focar todos os seus esforços pra operar a vista de milhões de pessoas com catarata, fazer partos naturais (e não com hora marcada pra meter a faca, pois TIME IS MONEY), deveriamos ter os melhores especialistas pra ajudar vítimas de catástrofes como a do Haiti, pra fazer cirurgias delicadas e caras em pobres etc.

Esses milhares de "médicos" que se formam a cada ano pensando em MONEY não sabem curar uma dor de barriga de qualquer pessoa.

O MUNDO NUNCA TEVE TANTO CONHECIMENTO COMO HOJE E TANTA FACILIDADE DE ACESSO A ELE, MAS, É PROVÁVEL QUE O CONHECIMENTO NUNCA FOI TÃO MAL USADO COMO HOJE.

É ISSO!

EM BREVE TEREMOS MAIS ALGUMA "FATALIDADE" OU "ERRO MÉDICO" COM ALGUMA MAGRELA OU MAGRELO FAZENDO LIPO.

Ou também algum amigo ou conhecido nosso com problemas de digestão por ter arrancado parte do estômago e ter comido demais sem caber... apesar de tomar café com adoçante!

E, só para esclarecer, eu não estou contestando cirurgias por obesidade mórbida, cirurgias reparativas, ou outras mais necessárias para a melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Abraços fraternos do ANTIQUADO,

William Mendes



Escrito por william-mendes às 15h19
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Anabb e Banco do Brasil e a relação com os negros

Semiótica de final de ano: os signos que revelam

 

“A Semiótica (do grego semeiotiké ou "a arte dos sinais") é a ciência geral dos signos e da semiose que estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas sígnicos, isto é, sistemas de significação. Ocupa-se do estudo do processo de significação ou representação, na natureza e na cultura, do conceito ou da ideia. Mais abrangente que a línguística, a qual se restringe ao estudo dos signos lingüísticos, ou seja, do sistema sígnico da linguagem verbal, esta ciência tem por objeto qualquer sistema sígnico – Artes visuais, Música, Fotografia, Cinema, Culinária, Vestuário, Gestos, Religião, Ciência etc.

 

A semiótica é um saber muito antigo, que estuda os modos como o homem significa o que o rodeia.”

 

Fonte: Wikipédia (algumas pessoas viram a cara para a enciclopédia livre, mas, prefiro ela aos copy right privados e caros)

 

Anabb e Banco do Brasil e a relação com os negros

 

Eu tenho por hábito folhear instantaneamente qualquer material que vejo, seja uma revista, folder, calendário etc. Entendo que nesse negócio de comunicação um pingo é letra e comunica algo.

 

É assim que vejo quem e de onde se está falando quando folheio uma revista semanal da grande mídia – essas das poucas famílias que dominam tudo aqui no país e que boicotaram a Conferência Nacional de Comunicação, como os grupos de comunicação privada O Estado, Abril, Folha, Organizações Globo.

 

Ainda hoje, essa mídia de direita e de elite “pobre de espírito” é a consubstanciação do velho Positivismo dos séculos passados que, dentre outras coisas, era usado para justificar a supremacia branca e eurocêntrica por aqueles que pregavam que nós – os latino-americanos “inferiores e selvagens” – só melhoraríamos à medida que a raça dessas terras do sul do Equador passasse por um processo de branqueamento.

 

Observem que não existem negros ou pardos nas revistas da grande mídia. Principalmente na metade delas que não é matéria ilustrada e sim propaganda, pois paga-se a eles por 100 páginas para ler umas 60 de propaganda de gente loira, “linda”, magra e que “significa” a ideia de que sucesso e coisa boa e “clean” é estar sob a ditadura do belo e artificial “humano” contemporâneo.

 

Não são só as revistas da grande mídia. Essa coisa do branco e clean está em tudo que representa os espaços burgueses da nossa sociedade “moderna”. Folheiem as revistas de bordo da TAM ou da Gol e me digam depois. Não há negros ou pardos – às vezes, eles “ilustram” alguma propaganda governamental nas revistas, só isso.

 

 

Calendários e cartões de final de ano da Anabb

 

Cheguei ao trabalho e folheei um calendário de mesa 2010 da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil - Anabb. Uma entidade que se diz “uma das maiores entidades de funcionários da América Latina”.

 

Achei o que vi até engraçado - partindo de quem vem. A entidade nunca aceitou fazer eleições sérias e democráticas. Além disso, durante o (des)governo FHC/Tucanos nunca esteve ao lado do funcionalismo e da Central Única dos Trabalhadores no enfrentamento contra a retirada de direitos e congelamento salarial. Pelo contrário, estava sempre a rondar as "negociações" da Contec. Os mais antigos lembram bem disso! O calendário da Anabb é semiótica pura. Vejamos:

 

Conforme vou virando as folhas dos meses vejo jovens homens e mulheres brancos; um casal branco – loiros (“Anabb de portas abertas...”); uma mão branca segurando uma casinha (“Coop-Anabb”); um papai jovem e branco segurando uma criancinha clarinha que é uma beleza! (“Anabbprev”); uma loirinha de olhos claros mostrando os dentinhos (“Odontoanabb”); uma mamãe loira e uma criancinha loira – parecem escandinavos! (“Seguros Decesso”); outra bela loira – o Brasil branqueou mesmo! (“Convênios...”); uma loira e uma garota oriental (“Assessoria Parlamentar”); uma mulher branca (“Prêmio Pontualidade”); um casal branco – seriam brasileiros? (“Comunicação”); entramos no mês de novembro com duas mãos brancas se cumprimentando (“Estratégia”) e, finalmente...

 

Não, eles não esqueceram que existem negros e pardos no Brasil. Mês de dezembro – temos ali uma bela criancinha negra para ilustrar que a Entidade se envolve em questões de “Cidadania”!

 

A semiótica é perfeita! Estaria a diretoria da entidade ou parte dela querendo “significar” que coisa de negros é uma questão de ação social? Coisa de “cidadania” fazer algo por essa “gente não branca” do Brasil?

 

Deixo a reflexão para os usuários do calendário de mesa “clean” da Anabb.

 

 

Cartão de Feliz Natal 2010 do Banco do Brasil SA

 

Já faz tempo também que observo os cartões e calendários do maior banco público do país – o BB.

 

Mal acabo de folhear o calendário de mesa da Anabb e vejo afixado o cartão de boas festas do BB.

 

Em 2010, o Banco do Brasil vai continuar sendo todo seu”.

 

A capa do cartão tem um desenho de um pássaro e o papel está vazado para mostrar um casal – de brancos – em seu meio.

 

Em seu interior, dez belas pessoas – colegas do banco (“employees”) -sorriem e ilustram os valores da empresa.

 

Que beleza, heim! Colocaram uma pessoa negra no meio de nove brancas. Seria cômico se não fosse patético. O que o banco está comunicando ali? Seria uma empresa responsável socialmente, que aceita que existe diversidade?

 

Seria o Brasil um país de gente branca, mas que convive com as “minorias” de forma harmônica? Fala sério BB!

 

Aliás, o Banco do Brasil tem sido campeão em vender uma imagem que não condiz com a verdade. Diz respeitar normas e direitos trabalhistas nacionais e internacionais e, no entanto, tem praticado atos e perseguição antissindical a funcionários e dirigentes em suas agências no Paraguai, Uruguai (fechou) e Argentina. Faz o mesmo no Brasil: o que dizer da substituição de funções sem o devido pagamento?

 

O cartão é bilingue, ou seja, também vai para o público externo. Até podem me dizer que na revista interna ao funcionalismo – BB.com.você -  tem mais gente negra, mas a imagem que ilustra o banco para o mundo – a imagem que “significa” – é outra coisa que observo há tempos dessa diretoria do banco ou parte dela.

 

 

 

A semiótica pode nos ajudar a conhecer a realidade do que certas entidades são e que, muitas vezes, pode ser o contrário do que dizem. Fiquemos atentos aos sinais e signos externalizados por grupos e empresas.

 

William Mendes

 



Escrito por william-mendes às 14h05
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Campanha Unificada é a melhor opção para os bancários de bancos públicos e privados

 

 

Em geral, o estudo da história serve ou deveria servir para ensinar e alertar aos homens do presente sobre problemas e situações oriundas de tempos remotos. Tempos melhores ou piores, sob o ponto de vista da atualidade.

 

Ao estudar o movimento sindical bancário, como dirigente eleito que sou, busco conhecer o passado anterior a mim – anos 80 e antes, assim como avaliar o período em que já me inseria na categoria – anos 90 - e avaliar as melhores perspectivas para os trabalhadores do sistema financeiro nos dias que correm, ou seja, nos anos 2000.

 

CUT e a corrente sindical – Articulação - têm defendido desde o final dos anos 90 a Campanha Unificada da categoria bancária. Em verdade, a criação do DNB - Departamento Nacional dos Bancários e depois a CNB – Confederação Nacional dos Bancários também já perseguia este objetivo da Unidade Nacional.

 

Não é à toa que, depois de anos de luta na categoria, conseguimos unificar as datas-base dos bancários – antes fragmentadas por regiões do país – e, vitoriosamente, assinar a primeira Convenção Coletiva Nacional de uma categoria em 1992, unindo trabalhadores bancários de várias empresas e de várias partes do país em acordo com direitos basilares a serem cumpridos pelos banqueiros de norte a sul do país.

 

A CUT e a Articulação Sindical (e mais recentemente a minha pessoa – como bancário de base nos anos 90 e como dirigente eleito nos anos 2000) seguiram na luta pela unificação total dos bancários, pois os bancos públicos federais não cumpriam a Convenção da categoria e consequentemente os seus direitos até 2004.

 

Esta história da Unidade vitoriosa dos anos 2000 já é conhecida da categoria, mas é importante relembrar que os bancários brasileiros, reunidos em mais de 120 sindicatos, 10 federações e a nossa confederação – antes CNB-CUT e agora Contraf-CUT - acertadamente vêm votando em seus fóruns democráticos a estratégia defendida por nós CUTistas e da Articulação Sindical de Campanha Unificada e Mesa Única da Fenaban.

 

Após 5 anos de Unidade, todos saíram ganhando

 

Os bancários de bancos públicos federais, em negociações específicas arrancadas em campanhas unificadas ano a ano, conseguiram recuperar a maior parte de seus direitos perdidos nos anos 90 em suas reivindicações específicas de saúde, previdência complementar, planos de cargos e salários e carreira interna, bem como de isonomia de direitos entre antigos e novos (diferenças geradas nos anos 90 quando cada banco estava isolado) e também entre estes bancos públicos e a Convenção da categoria (como ausências legais, vales e cestas menores ou inexistentes).

 

Não podemos esquecer que foi com a Campanha Unificada que os bancários de bancos públicos conseguiram algo que não tiveram entre 1995 e 2002 – a PLRParticipação nos Lucros e Resultados, porque enquanto não se uniram aos bancários na mesa da Fenaban e na CCT da categoria, não conseguiram negociar com os governos a distribuição justa e regrada de participação nos lucros e resultados.

 

Os governos de plantão fizeram tão somente programas de resultados para beneficiar seus altos executivos e humilhar a base da pirâmide com valores irrisórios entre 1998 e 2002.

 

Hoje a PLR do BB é um modelo conquistado após a Conferência Nacional dos Bancários de 2005, pretendida para toda a categoria.

 

No que diz respeito aos reajustes salariais e econômicos para todos os bancários, basta lembrar que sem a unidade total da categoria, os bancários de bancos privados viviam de reajustes abaixo da inflação com alguns abonos anuais que não cobriam nem sequer a inflação passada, corroendo seus salários e pisos a cada ano, sem muita capacidade de mobilização pelo risco do desemprego.

 

Já os bancários de bancos públicos amargavam congelamentos salariais, pois estavam isolados em ACTs – Acordos Coletivos de Trabalho – por banco e sempre que seus trabalhadores pediam reajustes tinham que enfrentar sozinhos governos, mídia conservadora e anti-coisa-pública e a justiça do trabalho, que juntos derrotavam os bancários de bancos públicos. Foi assim por mais de uma década.

 

Nos anos de Campanha Unificada temos aumento real, ou seja, acima da inflação de 11,5 % de reajuste nos pisos de todos os bancos e 7,3 % nas verbas e salários dos comissionados que ganham até R$ 2500. Também conquistamos 5,5 % acima da inflação para os maiores salários.

 

Por que falo tudo isso agora?

 

Na verdade, decidi escrever este artigo depois que li uma decisão do TST que derrotou uma reivindicação trabalhista de uma colega bancária da Caixa Federal que pedia isonomia entre a sua remuneração comissionada com a de outro colega de região diversa da dela.

 

Tanto o TRT como o TST disseram NÃO a ela. O que me fez escrever este artigo é o mérito da decisão da justiça do trabalho. Segundo eles, a empresa – no caso a Caixa Econômica Federal – pode pagar mais ou menos pela mesma função desempenhada pelo trabalhador se a região for diferente economicamente.

 

“A diferenciação tem lugar porque, embora as agências de João Pessoa e Curitiba tenham a mesma classificação, estão em mercados diferentes. O contexto econômico é divergente”

 

Afirmou ainda:

 

“Em relação ao trabalho propriamente dito, o volume e a complexidade dos negócios são diferentes em razão das bases econômicas nas diversas regiões” ( RR-723/2007-005-13-00.4)

 

Eu alerto aqui aos bancários e seus representantes sindicais, que muitas vezes pensam só o instante, o contexto, e não percebem o risco futuro da divisão da categoria. Risco de regredirmos décadas de nossa luta, quando os salários dos bancários das demais regiões do país eram bem menores do que os da região Sudeste.

 

Aproveito esta decisão ruim da justiça, por enquanto em um processo individual, para alertar que, vez por outra, em conjunturas diferentes e contextos diversos, os bancários brasileiros têm que abrir os olhos e ficarem atentos a propostas que dividem a categoria, vendendo ilusões de que tal banco ou tal região se daria muito melhor em negociações diretas e fora da Unidade da categoria. Digam NÃO à divisão.

 

Como a categoria bancária é uma das que têm alto grau de renovação devido às demissões e ao “turn over” do setor, fica tentador para grupos e correntes de pensamento, muitas vezes minorias, tentarem a divisão da categoria.

 

A melhor opção histórica dos bancários e da classe trabalhadora é a UNIDADE. Por isso, devemos lutar juntos na campanha salarial 2009 e nas campanhas vindouras.

 

Bancários de bancos públicos e privados, em mesa única, buscando derrotar banqueiros, governos, justiça e mídia conservadora e a pseudo-crise capitalista. Unidos somos mais fortes.

 

SOMOS FORTES, SOMOS CUT.

 

William Mendes

Secretário de formação da Contraf-CUT



Escrito por william-mendes às 12h18
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REFLEXÕES SOBRE O MODELO DE PLR DOS BANCÁRIOS

O modelo atual e o aperfeiçoamento necessário

Pensando acerca da PLR – Participação nos Lucros e Resultados – da categoria bancária assinada com a Fenaban, e a problemática recente dos balanços dos bancos bastante complicados e de pouca confiabilidade nos números, por um lado, e na necessidade de aumentar a distribuição do lucro para os trabalhadores de forma mais simples e compreensível, por outro, tenho as seguintes observações a título de contribuição ao debate:

O MODELO ATUAL DA FENABAN

É certo que, em termos de distribuição do lucro do exercício, o ideal para os trabalhadores seria uma distribuição de parte do lucro de forma linear para todos os empregados da empresa.

No entanto, tal modelo morreria no nascedouro porque ao longo desses 15 anos de negociação entre nós, os bancários, e eles, os banqueiros, ficou explícito por estes que não existe trânsito nesta forma de distribuição pura e simples.

Percebo também, como representante dos bancários há alguns anos, que a proposta de linearidade total não teria trânsito nem mesmo entre a categoria, que hoje possui cerca de 50% de seu quadro nacional constituído por trabalhadores comissionados.

Entendo que a fórmula por nós conquistada em 1995, de parte do valor fixo – privilegiando os menores salários, e parte do valor equivalente a um percentual do salário – fazendo jus à parte comissionada, acaba por dialogar com os dois grandes grupamentos de trabalhadores bancários, ou seja, os comissionados e os escriturários e caixas.

O teto máximo em reais também ajuda a equalizar a distribuição do montante apartado pelos bancos, de maneira a que na hora de cumprir a regra de distribuir no mínimo 5% do lucro líquido, faz-se com que a quase totalidade dos trabalhadores dos bancos receba 2,2 salários no exercício financeiro.

OS PROBLEMAS DO MODELO ATUAL

Um dos problemas advindos nos últimos anos refere-se à confiabilidade dos números do balanço dos bancos apresentados para a negociação de PLR.

De 2006 para cá, os bancos passaram a incluir ou excluir valores substanciais alegando direitos permitidos na legislação brasileira que colocam em dúvida o próprio resultado líquido balizador da distribuição do lucro.

Também contribuiu para o problema, a quantidade grande de fusões e aquisições por que tem passado o Sistema Financeiro Nacional e internacional.


UM NOVO MODELO GERAL MAIS SIMPLES E JUSTO

Pensando nesses problemas e buscando formas de melhorar a distribuição dos lucros dos bancos de forma mais justa e equânime, penso que devemos avançar na Fenaban para um modelo que se aproxime daquele que os trabalhadores do Banco do Brasil conquistaram na campanha salarial de 2005 e que foi uma proposta oriunda da Conferência Nacional dos Bancários daquele ano e que era reivindicação para todos os bancos.

O modelo básico no BB (excluído o programa próprio de resultados como existe nos demais bancos), tanto respeita a forma que dialoga com os dois grandes segmentos de trabalhadores bancários – os comissionados e os não-comissionados – como paga de forma linear uma porcentagem do lucro líquido para todos, sem nenhuma discriminação.

O modelo padrão da PLR do Banco do Brasil (ref. 2008):

Porcentagem do salário (90%)
+
Valor fixo para todos (R$966)
+
Porcentagem do LL linear (4%)

Este modelo tem vantagens importantes tanto para os trabalhadores quanto para a empresa.

Ele estabelece limites de amplitude entre o menor e o maior valor distribuído. No Banco do Brasil não há tetos em reais como na Fenaban. No entanto, a diferença entre o menor valor distribuído para os escriturários e o maior valor de 3 salários de referência para o topo da pirâmide (aqui incluído o modelo de resultados) já chegou a pagar até 5 salários ao ano para a base da pirâmide.

Quanto ao problema de os bancos estarem reduzindo os seus resultados com permissões da legislação em vigor, compete a nós também, representantes dos trabalhadores bancários e conhecedores de nosso papel, de exigir e denunciar às autoridades competentes – Governo Federal e fisco, Banco Central, CMN, dentre outras autoridades, que atuem para inibir a elisão fiscal e o excesso de permissividade hoje existente e que regulamente limites para as provisões dos bancos.

Para citar um exemplo, a provisão para devedores duvidosos só determina a porcentagem mínima a ser feita nos balanços, pois, em geral, os princípios contábeis são conservadores. Ora, o sistema financeiro evoluiu sobremaneira nos últimos 20 anos e hoje o fisco deixa muito à vontade os bancos no que diz respeito à autoclassificação de suas carteiras de créditos em inúmeras categorias e permite aos bancos fazerem provisões extras que, em alguns bancos, está fazendo com que as provisões totais cheguem a mais de R$ 10 bilhões, camuflando o lucro final.

Por mais que provisões não-realizadas devam voltar aos resultados finais nos exercícios seguintes, deve haver limites, pois quem perde com isso (resultado menor “artificial”) não são só os trabalhadores em suas negociações salariais e de PLR, mas também os acionistas minoritários e o próprio fisco que depende de tributos para servir à sociedade brasileira através das suas funções sociais e públicas.

William Mendes, Secretário de Formação da Contraf-CUT.



Escrito por william-mendes às 17h09
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Melhorar a renda, as condições de trabalho e a vida da classe trabalhadora

Este deve ser o foco principal do movimento sindical em qualquer lugar do mundo.

 

 

Nesta semana, os bancários dos maiores bancos públicos do País – Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal - se reúnem em seus congressos nacionais para debater temas importantes como o papel dos bancos públicos, como melhorar as condições de trabalho e a remuneração, como preservar a saúde dos bancários, questões de previdência e fundos de pensão, e a melhor forma de organizar os bancários enquanto categoria nacional.

 

Os congressos serão compostos por delegados oriundos de todas as bases sindicais do País que quiseram participar desse importante momento na luta dos bancários. Isso significa termos bancários de sindicatos grandes e pequenos; de todas as linhas de pensamento, seja à direita, ao centro e à esquerda; bancários e bancárias de todas as etnias, idades e credos; enfim, teremos reunida parte da classe trabalhadora que vende a sua mão de obra ao sistema financeiro.

 

O congresso de bancários, seja geral ou por banco, é um momento importante para traçar algumas diretrizes a serem perseguidas pela categoria no período imediatamente posterior ao encontro.

 

No caso dos bancos públicos federais, 2 temas sempre voltam à pauta – Mesa Única e Reposição de perdas -, seja por um ou outro sindicato, ou principalmente, por alguma corrente de pensamento, o que chamamos de "tendências" dentro do movimento sindical.

 

Sou defensor da Mesa Única, com todos os bancários de um lado e todos os banqueiros do outro. Também sou contrário a tentar calcular índices enormes de “reposição de perdas”, pois sempre chegamos a números arbitrários e a folha de pagamento dos patrões da categoria bancária é complexa demais para se achar que atingiremos os objetivos do título deste artigo com um número mágico.

 

Basta sabermos que o quadro de carreira dos bancos muda toda semana, com suas milhares de funções e valores de referência sendo criadas e extintas e seria impossível se fazer justiça para todos com um simples número mágico de x %.

 

 

MESA ÚNICA

 

Já ficou comprovado, na prática, pelos bancários dos bancos públicos e privados, o quanto a categoria acertou em aprovar a estratégia da campanha unificada desde 2004.

 

São 5 anos de vitórias importantes para todos. São 5 anos fazendo bons embates contra banqueiros, governos, justiça do trabalho, violência policial, inflação, imprensa e crises diversas.

 

Nos bancos privados, as seguidas greves gerais possibilitaram a volta da participação dos bancários nas mobilizações nacionais. Também invertemos a lógica da curva dos índices abaixo da inflação mais abono (comum até 2002), para aumento real para todos e abono como algo a mais mesmo. Além de direitos novos como maior PLR, auxílio educação, planos de saúde negociados e a 13ª cesta alimentação.

 

Os bancários dos bancos públicos avançaram substancialmente em grandes temas como isonomia – problemas oriundos dos governos do PSDB/DEM/PPS nos anos 90, avanços nos temas de fundos de pensão, aumento dos direitos oriundos da Convenção dos bancários - CCT, pois antes os públicos lutavam isolados e assinavam acordos por bancos – ACT.

 

A Mesa Única proporcionou também reajustes para todos os cargos e o fim dos constantes congelamentos salariais, além da conquista de Participação nos Lucros negociada e assinada com a CUT, antes só distribuída nos bancos signatários da CCT da Fenaban. Antes de 2003, a grande maioria dos bancários do BB e da Caixa recebiam migalhas de participação nos lucros e alguns milhares não recebiam nada, enquanto os gestores do topo da pirâmide desses bancos recebiam valores 100 vezes maiores que a base.

 

A Mesa Única foi fundamental na volta da mobilização de massa dos bancários desde 2003. Com o fim do isolamento por banco, os bancários enfrentaram com melhor correlação de forças tanto os patrões, governo e a repressão violenta da polícia, como também a opinião contrária da Grande Mídia, sempre demonizando a luta dos trabalhadores (a imprensa privada brasileira – pertencente a algumas famílias da elite -   prejudicou muito os trabalhadores de empresas públicas no período de ataque violento do PSDB/DEM/PPS ao desmonte do Estado nos anos 90).

 

 

MELHORAR A RENDA

 

Na questão da renda do trabalhador bancário brasileiro, seja ele de banco público ou privado, a unidade da categoria se mostrou de fundamental importância no último período.

 

Com a reestruturação do capital financeiro em grandes conglomerados, a única salvaguarda dos bancários atualmente é a Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários – CCT, que mantém trabalhadores de mais de 150 bancos com direitos básicos, sejam eles econômicos ou sociais.

 

 Não dá mais para pensar em isolar qualquer segmento bancário em um Acordo Coletivo – ACT, seja por banco ou região. Os resultados de uma opção dessas seria o enfraquecimento da única Convenção Nacional de trabalhadores no País e a provável volta dos pisos rebaixados por região ou empresa, como ocorre com todas as demais categorias de trabalho no Brasil.

 

A Contraf-CUT e a grande maioria dos bancários e entidades sindicais brasileiras, sabedoras de suas responsabilidades, e perseguidoras dos objetivos que estão no título deste artigo - Melhorar a renda, as condições de trabalho e a vida da classe trabalhadora, estão organizando a luta da categoria o ano todo, pois a luta não acaba nunca.

 

É nesse sentido que estamos organizando encontros e congressos de todos os segmentos de bancários para fazermos também as lutas específicas e as negociações permanentes com os banqueiros e governos.

 

PISO, PCCS, JORNADA DE TRABALHO E TRATAMENTO JUSTO DAS HORAS-GREVE

 

Uma coisa é certa: temos que lutar para aumentar o PISO DOS BANCÁRIOS, pois ele repercute sobre todas as demais verbas da carreira. Junto ao piso, devemos conquistar NEGOCIAÇÕES SÉRIAS SOBRE PLANO DE CARREIRA - PCCS - com regras claras para todos, o que inclui o pagamento das SUBSTITUIÇÕES DE FUNÇÕES. Também temos que lutar pela JORNADA DE BANCÁRIOS PARA TODOS OS COMISSIONADOS. Só esses 3 temas já dariam uma bela e justa campanha da categoria. Sem contar a revisão da reestruturação de 2007 e o FIM DA TERCEIRIZAÇÃO, que pode nos levar à extinção.

 

Tenho defendido desde o fim da campanha dos bancários de 2008 uma nova sistemática de acerto das horas-greve oriundas da luta por aquisição ou manutenção de direitos coletivos. Caso as empresas não aceitem aboná-las como parte do processo legítimo do embate Capital x Trabalho, AS HORAS-GREVE DEVEM SER DIVIDIDAS IGUALITARIAMENTE PARA TODO O QUADRO FUNCIONAL DE CADA EMPRESA, em número de horas, do contínuo ao presidente, pois os acordos e convenções assinados valem para todos. Defendamos esse princípio a partir de agora.

 

Espero que nos congressos dos bancários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, nós dirigentes e delegados eleitos, saibamos debater os grandes temas sem jamais esquecermos que os nossos objetivos devem ser os da classe trabalhadora.

 

Acredito que todos nós queiramos melhorar a renda dos bancários e principalmente as condições de trabalho, que estão terríveis, como sempre estiveram, pois não sou muito de enaltecer um passado idílico, muitas vezes mais mitológico que real.

 

A vida dos bancários sempre foi dura, basta olhar o nosso passado. Porém, os bancários brasileiros têm uma história de luta que passa de um século e sempre foram uma categoria aguerrida, de vanguarda e de construções coletivas. SIGAMOS UNIDOS E FORTES!



Escrito por william-mendes às 22h05
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